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– Lampião-

O próprio termo “cangaceiro”, em suas origens, faz referência ao termo “canga”, peça de madeira usualmente colocada sobre o pescoço de animas de carga. Assim, a palavra cangaceiro faz alusão aos utensílios que os cangaceiros carregavam em seu corpo. Além disso, essa ideia heroica sobre os cangaceiros é equivocada. Os primeiros cangaceiros de que se tem relato eram, de fato, “prestadores de serviço” aos chefes políticos locais. Perseguiam e matavam os inimigos políticos dos coronéis de uma região. Segundo alguns historiadores o início do cangaço remonta o ano de 1870. A atuação do cangaço abrangeu os estados da Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará.

Do ponto de vista da lei os cangaceiros eram bandidos e criminosos da pior espécie já que matavam, roubavam e praticavam outros crimes como estupros e negociatas sujas com políticos e fazendeiros. Do ponto de vista político eles faziam parte de uma pequena porção da população que não aceitaram, desde os tempos da colonização, o modelo oligárquico onde o poder econômico e político pertencem a uma minoria privilegiada em detrimento do sofrimento da grande maioria para qual o que restava era a submissão, o sofrimento ou revoltar-se contra a situação através de ações transgressoras das leis vigentes fazendo-se valer de regras e leis particulares.

Daí que muitos endeusam os cangaceiros quando olham pelo prisma político e outros os julgam como simples arruaceiros, covardes, usurpadores, assassino sem compaixão e corruptos, comparando-os aos chefes de tráfico atuais que tornam-se comandantes da comunidade a que pertencem através de pequenos favores e de muito medo gerado pela violência extrema.

Virgulino Ferreira, vulgo Lampião, foi e ainda é considerado por muitos como o rei do cangaço. Tornou-se cangaceiro para vingar-se da morte do pai e foi tido por muitos como o Robin Hood do sertão.


PARTICIPANTES
  • Francisco Seixas
  • Larissa Abreu
  • Igor Alcantara
  • Fabrício Soares
 

FONTES

LINK PARA LIVRO CITADO

Trinta e três – Autor: Igor Alcantara

FILMES RELACIONADOS COM O ASSUNTO
  1. Lampião, o Rei do Cangaço (1936) – Benjamim Abrahão
  2. O cangaceiro (1954) – Lima Barreto
  3. A morte comanda o Cangaço (1961) – Carlos Coimbra
  4. Três cabras de Lampião (1962) – Aurélio Teixeira
  5. O lamparina (1963) – Glauco Mirko Laurelli
  6. Deus e o diabo na terra do sol (1964) – Glauber Rocha
  7. Memória do Cangaço (1965) – Paulo Gil Soares
  8. Maria Bonita, Rainha do Cangaço (1968) – Miguel Borges
  9. Corisco e Dadá (1996) – Rosemberg Cariry
  10. Baile perfumado (1997) – Paulo Caldas e Lírio Ferreira

 


FOTO MENCIONADA NO EPISÓDIO
Decapitados

Cabeças decapitadas dos cangaceiros


TRILHA SONORA

* Luiz Gonzaga – Mulher rendeira
* Ruben Brasil – Bio Lampião
* Ropiário Júnior – Coração de cangaço
* Júlio Vieira – Veredas do cangaço
* Júlio Vieira – Lampião rei do cangaço
* Antonio Nobrega e Teca Calazans – Cavalos do cão
* Erivan Gomes – Culpado ou inocente
* Anderson Ramalho – Sertão
* Mano Carlão e DJ Rill – Passado e futuro
* Herbert Lucena – Herói, vilão ou libertário
* Escurinho – Nas entrafas de Bom Nome
* Ernesto Teixeira – Convite a Lampião
* Jamil Santos e Antonio Cabral – A última noite de Lampião
* Rui Grudi – Maria Bonita
* Amelinha – Mulher nova, bonita e carinhosa

A maioria das músicas foram tiradas do YouTube.
Basta procurar por “I Festival de Músicas do Cangaço”


FILME ORIGINAL DE LAMPIÃO FEITO POR BENJAMIN ABRAHÃO (SEM SOM)

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  • Lucas

    Grande episódio! Texto e qualidade sonora excelentes. É uma aula de historia, imparcial e reveladora. Parabéns!

  • Cliff Rodrigo Silva

    Estou comentando antes de ouvir. Quando ouvir, comento de novo. Mas, de primeira já é possível dizer que o tema é muito importante e tão pouco debatido tanto na podosfera quanto na maior parte da sociedade. O Cangaço é um tema muito importante e tão pouco conhecido.Tenho certeza que esse podcast será útil, uma vez que levará para as pessoas o conhecimento sobre o que foi esse movimento e sua importância para a o país. Tem tudo para ser bom! Parabéns adiantados pelo tema! Foi uma excelente escolha

  • Cliff Rodrigo Silva

    Um excelente cast, parabens! Tem uma qualidade impressionante para um cast iniciante. Já virei ouvinte assíduo. Sobre o conteúdo, muito bom, como sempre. Não sou grande conhecedor do cangaço, achei as informações muito interessantes.É uma bela aula de história, enriquecida pela participação de convidados que tem certa ligação com o período e com a a figura de Lampião. Serviu para trazer ótimas informações sobre essa figura lendária que foi Virgulino e sobre o movimento do cangaço em si. Parabens! Excelente cast!

    • Cliff!!
      Eu agradeço imensamente pela exposição das tuas impressões sobre o nosso trabalho. Acho que você está sintetizando o nosso objetivo que é o de levar conteúdos que, se a princípio possam parecer não muito interessantes, guardam em si uma grandeza merecedora de uma análise mais detalhada e portanto dignas de serem abordadas! Eu particularmente me sinto muito gratificado pelo teu reconhecimento ao nosso trabalho…

      Grande abraço e é claro, obrigado por mais esta participação!

      🙂

    • Obrigado Cliff. Que bom que gostou do episódio. Ele, assim como os outros, foi feito com o maior cuidado para levar aos ouvintes conteúdo com a melhor qualidade possível.

    • Larissa Abreu

      Cliff, fico imensamente feliz em saber que conseguimos lhe acrescentar um pouco mais de conhecimento sobre esse período, que na minha opinião foi um dos mais importantes, do Brasil.
      Espero vê-lo por aqui mais vezes ein.

      Grande beijo.

  • Fala galera, só hoje que deu tempo de ouvir o programa!
    Bah e que programa legal, cheio de informações valiosas sobre o tema, realmente é uma parte da história do Brasil que não pode ser esquecida e muito interessante mesmo. O Igor veio cheio de informação até citando trecho do livro dele, fiquei bem curioso pela leitura. Ótimo programa pessoal, foi o primeiro que ouvi com mais participantes e a dinâmica ficou muito boa, diferente dos primeiros com o Francisco sozinho, mas mesmo assim foi bem bacana.

    Valeu pessoal

    Abraço

    • Larissa Abreu

      Olá Léo,

      É uma grande honra saber que você gostou.

      Muito obrigada pelo comentário, grande beijo.

    • Grande Léo!!!
      Muito legal ter você por aqui comentando e dando a tua opinião.
      Eu fico muito lisonjeado e muito feliz por saber que conseguimos te passar conteúdo interessante!

      Grande abraço!

    • Valeu Leo, muito obrigado pelo seu comentário!

  • Aline Lopes

    Descobri o Podcast de vcs hoje e simplesmente amei!! Adorei o trabalho! Obrigada! 🙂

    • Olá Aline! Fico feliz que tenha gostado e comentado.
      Espero poder te encontrar mais vezes por aqui,, ouvondo e dando a sua opinião!

      abraço!

    • Larissa Abreu

      Olá Aline,

      Seja muito bem-vinda!

      Obrigada pela participação aqui nos comentários. Volte mais vezes.

      Grande beijo.

  • Programa excelente e tudo muito bem abordado!
    Eu morei minha infância na zona rural de Buíque-PE e no povoado de São Domingos tinha uma vendinha que vez ou outra minha avó fazia feira lá, mas eu morria de medo porquê o dono, Seu Né, já tinha sido cangaceiro de Lampião. Ano passado (2013) soube que ele morreu, já com seus 98 anos e lembro que foi feita uma reportagem e tudo mais. Não sei se esse era o mesmo que o Francisco citou no podcast, ele era conhecido como Candeeiro.

    Meus avós por parte de pai também contaram histórias sobre Lampião. Na verdade falaram mais que conhecidos foram mortos por ele e inclusive num cemitério da família (comum no interior) tinha alguns dos que foram mortos por ele.

    Meu avô (que morreu ano passado e viveu 99 anos) contava que tinha se encontrado com Lampião e seu bando e contrariando um pouco a informação, estavam todos à cavalo. Ele disse que eles chegaram no povoado pedindo informação onde ficava uma certa fazenda e meu avô disse onde era. Eles chamaram ele pra levá-los até lá, meu avô a pé e eles à cavalo. Disse que andou bem umas duas ou três léguas. Não foram violentos ou nada, na verdade educados. E foi isso. Voltou a pé, não foi morto (se não eu não tinha nascido) e ficou tudo bem.

    Mais uma vez, parabéns! Já estou rumando para um outro programa pra ver o que acho!
    Mais uma vez, parabéns!

    • Olha Stuart não tenho como confirmar que fosse o Candeeiro… São tantas as informações desencontradas que é quase um quebra cabeças. De qualquer forma, as tuas informações familiares vêm agregar mais conteúdo ao episódio…
      Fico imaginando quantas pessoas a mais que têm nas próprias famílias pequenas histórias que acabam esbarrando em Lampião ou em alguma das suas ações e de seu bando!
      De novo, mais um obrigado pela participação nos comentários!

      abraço

  • Guest

    Grande episódio. Mas queria me tirassem uma dúvida: não foi muito explicado no cast o porquê de Lampião ser visto como um herói por tanta gente?

  • Grande episódio. Mas queria me tirassem uma dúvida: não foi muito explicado no cast o porquê de Lampião ser visto como um herói por tanta gente??

    • Olá Padu!
      Ao abordarmos o tema procuramos ser imparciais. Citamos como o Lampião era visto aos olhos da lei e dos seus desafetos e de como até hoje ele é lembrado por muitos como um semi deus, um bem feitor, um justiceiro que se levantava contra as injustiças contra os pobres.
      Quanto ao fato de ele ser visto como herói por tanta gente, acredito que seja pelo mito que se criou em torno dele e de seu bando e acho que quanto mais distante estivermos em termos de tempo de suas histórioas mais haverá uma aura de heroismo pairando no personagem!
      Mas, de qualquer modo é só uma suposição baseada nas músicas e literatura de cordel existentes sobre o assunto.

      Muito obrigado pelo comentário e participação!

      abraço

  • No episódio foi citado que o cangaço acabou, mas recentemente ressurgiu nos bandidos atuais que roubam bancos. Forte abraço e parabéns pelo cast.

  • Meu pai me contou várias histórias sobre Lampião. Na visão de meu pai, Lampião foi um bandido que ele compara aos traficantes dos morros cariocas. Aliás, meu pai vê os cangaceiros como marginais sem escrúpulos e sem limites. Parabéns pela forma imparcial com que foi conduzido o tema.

  • Wilson Santos

    Quando conheci o TEMACAST achei que seria mais um podcast as me surpreendi positivamente vocês fazem um ótimo trabalho e sempre contam com a participação de convidados muito competentes que tem um grande embasamento . Continuem com esse maravilhoso podcast.
    PS: por favor gostaria muito de saber a lista de musicas que rolaram no episodio fiquei louco com aqueles sons que rolarão.

    • Wilson,

      A maioria das músicas foram tiradas do YouTube.
      Basta procurar por “I Festival de Músicas do Cangaço”

      abraço e obrigado pela visita

  • Pingback: Temacast #18 - Guerra de Canudos - TemaCast()

  • Cesar Moreira de Sousa

    Oi.
    Descobri o trabalho de vocês a poucos dias, mas já estou irremediavelmente viciado! Este episódio do Lampião foi s-e-n-s-a-c-i-o-n-a-l. Me impeliu a buscar mais informações a respeito desse cabra safado; vulto interessantíssimo da história brasileira, tanto enquanto indivíduo quanto como fenômeno social, no caso do cangaço em si. E queria aproveitar para reforçar o pedido do Wilson Santos, para disponibilização da trilha do cast, lindíssima, por sinal.
    No mais, desejo a vocês todo o sucesso que de fato merecem! Deve ter dado um trabalho imenso, mas o resultado ficou impecável. Continuem, please!

    Abraços.

    • Olá Cesar!
      A maioria das músicas foram tiradas do YouTube.
      Basta procurar por “I Festival de Músicas do Cangaço”

      abraço

  • Marcelo Torres

    Como era esperado, estou ouvindo os episódios anteriores, passeando inicialmente pelos que me interessam logo de cara.

    Ouvi agora a pouco o episódio 06, que fala sobre o Lampião.

    Tem algumas coisas que seriam interessantes comentar, mesmo que tardiamente, ficando apenas para registro mesmo.

    No podcast foi falado o problema do chocalho de vaca que levou a uma briga. Porém, longe de ser um problema simples (porque pelos nossos olhos da atualidade, um chocalho é algo bem simples e barato, não vale uma briga), pois na época o dinheiro era escasso. Qualquer trocado era muito. Um chocalho era uma fortuna. Então a briga era boa.

    E eu acompanhei uma outra história sobre o Virgulino que destoa do que foi falado no podcast. É a respeito da patente de Capitão.

    O presidente da época (Arthur Bernardes) montou uma força para derrotar militares revoltosos. Convocou um médico baiano e deputado federal chamado Floro Bartolomeu da Costa. Floro se alia ao Padre Cícero (que era prefeito e religioso em Juazeiro) e organizam mais de mil homens. Saíram em busca destes militares mas não tiveram sucesso. Floro pede mais dinheiro ao governo e amplia sua busca. Envia uma carta do Padre Cícero ao Lampião pedindo sua ajuda para fazer parte da tropa. Lampião, meio desconfiado, aceita o convite. Parte para Juazeiro (onde residia Padre Cícero). Os militares revoltosos driblaram as tropas do governo e nem chegaram perto de Juazeiro ou de Fortaleza (que era o receio de Padre Cícero). Neste meio tempo Floro Bartolomeu adoece fortemente e deixa a frente de combate, voltando (de navio, saindo de Fortaleza) para o Rio de Janeiro, onde morreu pouco tempo depois. Os revoltosos seguiram para o Rio Grande do Norte e dispersando, acabando com o perigo.

    Virgulino segue seu rumo a Juazeiro, e foi cobrar a conta pelo dever cívico prestado.

    Pedro de Albuquerque Uchoa, na noite de 4 de março de 1926, foi abordado por dois “jagunços” (que estavam armados, diga-se de passagem) que o levaram para a casa de Padre Cícero, onde já o esperava na companhia de Virgulino Ferreira. Padre Cícero anuncia que Virgulino não era mais bandido e que deveria ser dado a ele a patente de Capitão e a patente de Tenente para seu irmão. Pedro Uchoa tentou argumentar, mas os jagunços eram bem convincentes. Padre Cícero se colocou na mais alta autoridade federal de Juazeiro e aí não teve jeito. Foram lavradas as designações de patente.

    A patente continuou e consta que sua filha e neta ainda receberam pensão do Exército, conforme direitos de parentes de oficiais.

    Segue anexo recortes do jornal afirmando a patente que foi concedida. Não foi apenas Virgulino que considerou-se Capitão, ele foi reconhecido como tal pela patente que foi concedida.

    Fonte disto:
    – Livro “Padre Cícero – Poder, Fé e Guerra no Sertão”, Lira Neto
    – Jornal sergipano “Diário da Tarde”, de sexta-feira, 29 de setembro de 1933

    Mais uma vez parabéns pelo podcast, pela lucidez como os temas são abordados e pela forma agradável como tudo é conduzido.

    Um grande abraço.

    • Valeu Marcelo!
      Vamos convocar os ouvinte para virem dar uma olhada nestas informações adicionais que vc nos deu!

      abraço

  • Vitor Urubatan

    Cara mais uma verdadeira aula!
    Rsss acho que esse conteúdo renderia um jogasso tipo “Call Of Duty – Cangaço” ou “Battlefiend Caatinga Nordestina”.

    • Olha isso!
      A cabeço do gamer viciado em ação!

      ahaha!

      • Vitor Urubatan

        Rsss que isso cara, dá para fazer algo bem legal com cinematic e tudo.
        Onde você teria a opção de jogar com um dos membros da “polícia” ou um membro do bando do Lampião.
        Rss tendo finais diferentes até um final no qual você como cangaceiro não ser reconhecido dando a possibilidade de fugir.

        O maior problema nesse game seria retratar a verdadeira face do que os cangaceiros faziam. Pois o pouco que li não diziam que eram heróis, muito pelo contrário.

        Mas cara, valeu o cast.
        Bora ouvir o próximo.

  • Renver

    Então é mais provável que ele fosse mais mercenário que herói!!

    talvez com algum resquício de honra.

    Infelizmente os fatos sobre esse personagem estão muito nebulosos.

    Sobre a rotina dos cangaceiros recomendo a leitura de Grande Sertão: Veredas do mestre Guimarães Rosa.

  • Ricardo Tamanini

    Foi o filme Baile Perfumado que me despertou a curiosidade sobre a Lenda de Lampião. Sorte minha poder assistí-lo na TV Cultura duas vezes! Em DVD é raríssimo encontrar o original. Adiquiri o livro “Lampião, A Trajetória de Um Rei Sem Castelo” de Paulo Moura e a partir dele tenho a imagem que Virgulino fazia o que bem interessava, e em outras vezes trabalhava para coronéis. O livro também menciona o assassinato do pai e a busca por vingança (que nunca aconteceu) e sua ascenção a líder do cangaço. A imagem da exposição das cabeças é bizarra! Valeu pelo TemaCast!

  • Rodrigo Ribeiro

    Desenhavam cruzes nas testas com facas? Inspiração para Bastardos Inglórios?

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