Plano Real:

Quando Itamar Franco assumiu interinamente a Presidência da República no dia 29 de dezembro de 1992, imediatamente após a renúncia de Fernando Collor, a inflação acumulada nos 12 meses anteriores estava em 1119%.  Em 1991, ela havia sido de 472%. Em 1990, de 1621%. Também em decorrência da recessão, a arrecadação tributária não era suficiente para cobrir as despesas do governo. Como consequência, o governo apenas ordenava ao Banco Central –  que, na época, podia comprar títulos do Tesouro Nacional – que imprimisse o dinheiro necessário para fazer frente às despesas. O resultado era um moto-perpétuo inflacionário. Uma herança maldita advinda do governo Juscelino Kubitschek, que havia construído Brasília a partir de dinheiro impresso para essa finalidade e do repasse do Tesouro Nacional às empreiteiras.

Entretanto, a origem mais profunda da crise dos anos 1990, antes do Plano Real, remonta ao início dos anos 1980. O componente desencadeador fundamental dessa crise foi a ruptura do padrão de financiamento do Estado nacional-desenvolvimentista, inaugurado por Getúlio Vargas, aperfeiçoado por JK e seguido a risca pelos militares, somado ao desequilíbrio das contas externas provocado pelo choque externo ocorrido entre 1978-1982, com a crise do petróleo e a consequente alta do preço do barril de petróleo, que repercutiram profundamente nas condições internas e internacionais de financiamento do setor público brasileiro e no déficit comercial brasileiro. A crise do petróleo obrigou os EUA a elevar enormemente as suas taxas de juros a empréstimos e a reduzir enormemente a compra de produtos da América Latina, o que elevou significativamente o já preocupante endividamento externo dos países desse bloco, atingindo principalmente o Brasil, o mais endividado de todos (até hoje)…

Saiba mais sobre isso ouvindo Plano Real.


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PARTICIPANTES
FONTES
  • “Brasil: plano real e a estabilização econômica inacabada”, Dirceu Grasel
  • “Políticas Públicas e Estado: o Plano Real”, Marcus Ianoni
  • “A teoria da inflação inercial: concepções da PUC-RJ e da FGV-SP”, Osmani Pontes Moreno
  • Outras fontes

TRANSCRIÇÃO DO ÁUDIO

Créditos: Karla Michelle Braga (facebook)

Link:  Transcrição


VITRINE

MÚSICAS DESTE EPISÓDIO
  • Paulinho da Viola – Dinheiro na mão é vendaval
  • Art Popular – Fricote
  • Cássia Eller – O segundo sol
  • Art Popular – Valeu Demais
  • Cássia Eller – Palavras ao vento
  • Titãs – Sonífera Ilha
  • Titãs – Eu Não Aguento
  • Legião Urbana – Tempo Perdido
  • Pixote – A lua e eu
  • Skank – Vamos Fugir
  • Só Pra Contrariar – Mineirinho
  • Rappa – A Feira
  • Rappa – Vapor Barato
  • Claudinho e Buchecha – Quero te encontrar
  • Pink Floyd – Money
  • Pink Floyd – Learning To Fly
  • Pink Floyd – One Slip
  • Pink Floyd – On The Turning Away
  • Pink Floyd – Comfortably Numb

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  • Presidente Exumador

    Só uma dúvida. O próprio Itamar já disse em uma entrevista q o FHC não tem nada a ver com o Real e o Ciro Gomes sempre aproveita qk oportunidade para dizer que ele foi uma das principais cabeças do Plano. Isso procede?

    • Vamos por partes Presidente. Dizer que o FHC não tem nada a ver com o Real não é verdade. Como dissemos no episódio, o FHC teve importância política e não técnica. Já o Ciro Gomes (que na época era do PSDB) assumiu como ministro da fazenda no lugar do Rubens Ricupero que caiu devido um escândalo chamado “Escândalo da Parabólica” onde falou o que não devia e foi ao ar para quem tinha antena parabólica. O Ricupero havia entrado para o ministério no lugar do FHC que deixou o posto para se candidatar a presidente
      Dizer que o Ciro Gomes foi uma das principais cabeças do Plano Real eu considero um exagero. Eu diria que ele estava no governo na época e com certeza apoiou o Plano.

      • Presidente Exumador

        Obrigado, Francisco. Esse é um dos motivos que acompanho vosso trabalho. Grande abraço.

    • Jorge Virgilio

      Intrometendo-me na conversa de vocês… Eu acho que o problema dos políticos (FHC, Ciro e etc) é que eles querem se colocar como REALIZADORES do Plano Real ou do que mais seja, quando na verdade o máximo que eles fizeram – quando fizeram – foi apoiar os verdadeiros realizadores, que são os pesquisadores que elaboraram a coisa. É igual deputado e vereador que “asfalta rua”, sendo que quem asfalta rua é o executivo municipal, ou seja, a prefeitura. Mas um monte de gente se elege para o legislativo (inclusive, a nível federal) dizendo que vai asfaltar rua… O mesmo vale para o Bolsa Família, que foi desenvolvido por pesquisadores brasileiros e estrangeiros (a partir de orientações da ONU), e um monte de gente diz que “fez” a coisa. Político só sabe fazer política e politicagem mesmo, em geral.

  • Edson Correa

    Meus amigos, sou Edson Corrêa, Representante de Vendas, 54 anos, da cidade de Votorantim, interior de SP. Parabéns pelo episódio, retratando com pinceladas, claras e objetivas como surgiu esse novo Plano de estabilização econômica e que sobrevive até hoje. Vocês me levaram ao final da década de 1980, onde investi numa linha telefônica fixa para ser instalada na casa de meu sogro, era ostentação ter mais que uma linha de telefone, acredito que vocês poderiam explicar aos mais jovens como era essa época, e porquê usei o termo investimento e não compra. Absurdamente esclarecedor o episódio, um grande abraço, vida longa ao TemaCast, fã de vocês, Francisco Seixas, Igor Alcantara e Jorge Virgílio.

    • Pois é Edson, naquela época ter uma linha telefônica era luxo e ter mais que uma era como se um cara muito cheio da grana e portanto um investidor!
      Valeu por mais essa visita

  • Marcelo Torres

    Caros amigos. Estou sumido devido minhas atividades profissionais e, mais recentemente, estudantis. Temacast pra mim é sinônimo de Podcast. Não consigo pensar em podcast sem que o Temacast venha em minha mente. Quanto ao tema, não é nenhuma surpresa dizer que vocês, mais uma vez, brilharam. Lembrei que já atuava como programador e não foi fácil ajustar os sistemas para tanta troca de moedas, corte de zeros e, mais no final, dividir cada valor por 2750 (que foi o valor final da URV). Entre mortos e feridos, todos sobrevivemos. Grande abraço a todos.

    • Grande Marcelo!
      Obrigado pela visita e considerações.
      Grande abraço

  • Carlos Nani

    Ao ouvir o Cast lembrei vagamente de minha mãe explicando, quando eu era criança, a mudança nos cortes dos zeros das moedas. Eu tinha por volta dos meus 14 anos na época da entrada do plano real, lembro quando vi as primeiras notas de real que uma amigo havia trocado e da conversão das URVs. De lá para cá, a valorização frente ao Dólar, o frango como um herói momentâneo do plano na gestão do FHC e de sua infeliz desvalorização nos últimos tempos. Enfim, ótimo tema escolhido para esse episódio.

    Forte abraço para toda a equipe.

    • Fala Carlos!
      Que bom ter você aqui comentando.
      Grande abraço

  • Darley Santos

    Que dança de cavalo manco essas das moedas, hein! Não lembro muito bem das antigas moedas, mas lembro da novidade do Real, quando meu pai chegou em casa pela primeira vez com as cédulas na mão. Ora, então não é a toa que o Plano Real tem a cara do Fernando Henrique Cardoso, ele foi peça-chave para dar credibilidade ao Real perante a sociedade.

    Olha só o trailer do filme “Real – O Plano Por Trás da História”, não sabia desse filme…

    https://www.youtube.com/watch?v=lF3o5-CeZJY

  • Aline Lira

    Olá meninos! Meu primeiro cometário aqui. Escuto podcasts a pouco tempo (uns 3 meses) e o Temacast tem me ganhado com os temas, sempre aprendo algo novo. Adorei esse episódio em especial pois sou economista e bancária, lembro que na faculdade achei maravilhoso estudar esse período e gostava de pensar a inflação como a “doença” e nas tentativas de estabilização como “remédios” rsrsr
    Enfim, continuem com esse ótimo trabalho.
    Abraço

    • Jorge Virgilio

      Obrigado pelos elogios e pela mensagem. Ficamos felizes que tenha finalmente tomado a iniciativa de nos escrever. Forte abraço em nome de toda equipe!

  • Karla Michelle Braga

    Excelente programa! Foi um prazer transcrevê-lo.

    • Fez um excelente trabalho Karla!
      E que venham outros…

    • Jorge Virgilio

      Obrigado pela transcrição.

  • Ouvi novamente o programa ontem com a minha mãe, pois ainda estamos maratonando o Temacast e reparei que parte desses acontecimentos, da mudança de moeda, das propagandas e de como o FHC foi colocado como o pai do Plano Real passaram para mim, naquela época, completamente desapercebidos. Eu estava na idade de prestar Vestibulinho e preocupada em conseguir um bom colégio para estudar, então, a política não me interessava. Mas recordo de ter que fazer as correções de URV e acompanhar a cotação do dólar, porque muitos comerciantes insistiam em passar a perna na gente, colocando a cotação que fosse mais vantajosa para eles, claro.

    Então, a gente comprava o jornal do dia e andava com um pedacinho de papel, o recorte que mostrava a cotação do dólar no dia. Além disso, também haviam umas tabelinhas para fazer a conversão de valores. Não me lembro mais como funcionavam. Ah, também recordo da hiperinflação, quando minha mãe recebia o salário e tinha que correr pro mercado para fazer as compras do mês. Depois que trocou a moeda e a economia se estabilizou um pouco, esse tipo de coisa se tornava inútil, pois agora era possível ir fazer compras a medida que se necessitava de um item, sem correr o risco dele triplicar de valor em 2 dias.

    Hoje, já reparei que voltamos a fazer a compra do mês, pois os itens básicos, sobem constantemente de de valor. Não que cheguem a triplicar, mas há uma boa diferença entre comprar no começo de um mês e no final do mesmo. AH, uma coisa que me lembro também é da maquininha de remarcar preço. Faz uns dois anos e eu vi uma num mercado, largada no setor dos laticínios. Ver aquela ferramenta me deixou passando mal e toda aquela lembrança da década de 80, quando elas atuavam incessantemente, voltou a tona. Foi bem assustador. Bom, é isso. Um abraço e vamos seguindo aqui na maratona, rumando para o episódio do Bob Dylan.

    • Jorge Virgilio

      Oi, Priscila. Obrigado pela mensagem. Ainda estamos longe da realidade de 80, mas de fato há motivos para se preocupar. Boa continuação de maratona para vocês duas. Abraços!

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