Serviço Secreto Brasileiro (terceira e última parte):

Aos 74 anos de idade, o ex-governador de MG e agora Presidente eleito do Brasil, Tancredo Neves, já estava gravemente doente quando havia lançado a sua candidatura. Ele padecia de uma infecção renal que lhe acompanhou durante a maior parte da campanha mas evitou procurar ajuda médica – escondendo até da família suas crises agudas de cólica abdominal – temendo que o seu atual estado de saúde o obrigasse a se submeter a um tratamento médico demorado ou mesmo a uma cirurgia, o que poderia impedir que ele assumisse a Presidência na data prevista: 15 de março de 1985. Tancredo acreditava que caso não assumisse os militares poderiam se ver tentados a mais uma aventura golpista e preferiu arriscar a vida do que o sonho de reempossar um civil no Palácio do Planalto após 21 anos de Ditadura.

Contrariando amigos e o bom-senso Tancredo fez uma turnê internacional pela Europa, EUA, Argentina e Uruguai, voltando para o Brasil em 7 de março de 1985, uma semana antes da posse, portanto. No dia 13, já em Brasília para a cerimônia de posse, Tancredo começou a sentir fortes dores abdominais e dessa vez não conseguiu evitar uma consulta médica de emergência. Examinado pelos médicos, os exames sobre a saúde de Tancredo não foram conclusivos. Os médicos sugeriram uma cirurgia para saber o que ele tinha, mas ele preferiu esperar para depois da posse. No dia seguinte, na véspera da passagem do cargo, Tancredo acabou passando mal durante uma missa no Santuário Dom Bosco e teve que ser levado às pressas para casa. Com calafrios, febre e as pontas dos dedos arroxeadas, Tancredo já não conseguia andar e teve de ser internado…

Saiba mais sobre isso ouvindo Serviço Secreto Brasileiro (terceira e última parte).


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PARTICIPANTES
FONTES
  • Livro “O Ministério do Silêncio”, de Lucas Figueiredo
  • Artigo “De FHC a Lula: a militarização da Agência Brasileira de Inteligência”, de Jorge Zaverucha
  • Outras fontes

VITRINE

MÚSICAS DESTE EPISÓDIO
  • Milton Nascimento – Carta à república
  • Milton Nascimento – Certas canções
  • Milton Nascimento – Coração de estudante
  • Capital Inicial – Primeiros Erros
  • Milton Nascimento – Sonho de Moço
  • Milton Nascimento – Nos bailes da vida
  • Tim Maia – Vale Tudo
  • Milton Nascimento – Travessia
  • Araketu – Mal acostumado
  • Erasmo Carlos- Sentado à beira do caminho
  • Mamonas Assassinas – Vira Vira
  • Tim Maia – Acenda O Farol
  • Cazuza – Ideologia
  • Cazuza – Brasil
  • Maria Bethania – Carcará
  • Lobão – Pra Sempre Essa Noite
  • Milton Nascimento – Caçador de Mim
  • Titãs – Polícia
  • Natalie Imbruglia – Torn
  • TLC – No Scrubs
  • The Brand New Heavies – Midnight At The Oasis
  • Shola Ama – You Might Need Somebody
  • Big Mountain – Baby I Love Your Way
  • Aswad – Shine
  • Radiohead – No Surprises

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  • Jorge Virgilio

    ERRATA
    DO EPISÓDIO: Pessoal, em dado momento do episódio nos referimos ao
    sobrinho de Tancredo Neves, o atual vice-governador do Estado do Rio, como
    FERNANDO Dornelles… Mas na verdade é FRANCISCO Dornelles. Falha
    minha, que digitei errado na pauta. Abraços!

  • Willian Rochadel

    Que episódio incrível. O que suscita ainda mais a discussão sobre a privacidade.
    Afinal, não é só a partir da internet que nossos dados se tornaram abertos, mas também em diversos outros meios. Uma bela reflexão sobre controle.
    Além disso, destaque para o discurso de fechamento do episódio. Muito bem destacada a imagem do povo e a sociedade escravocrata ainda enraizada.
    Lamentável é ver um povo guerreiro ainda subjugado por uma democracia ilusória.
    Muito obrigado pelo episódio, realmente trouxe diversas reflexões a partir da história de uma agência um tanto desconhecida.
    O que ficou pendente, foi a utilidade para hoje. Em quais ações a Agência ajudou o país nos últimos anos? Há uma divulgação sobre isso?

    • Jorge Virgilio

      Olá, Willian. Obrigado pelo comentário e pelos elogios. Como comentamos no episódio, o objetivo da ABIN é “planejar, executar, coordenar, supervisionar e controlar as atividades de Inteligência do País” em prol do “interesse nacional”… Não tem uma definição clara do que a ABIN faz, logo ela faz qualquer coisa. De modo geral a ABIN deveria servir para proteger informações sigilosas e adquirir informações de interesse do governo, ou necessárias para a manutenção do governo. Na prática, a ABIN é usada mais para investigar líderes sindicais, movimentos grevistas e etc, os inimigos de sempre. No passado recente, eles atuaram muito nessas manifestações que ocorreram desde 2013 até agora, mas precisavam da aprovação da “lei antiterrorismo” para fazer alguma coisa, de forma efetiva. Uma das coisas que a ABIN deveria fazer, já que fazem a “segurança institucional”, era proteger as informações que entram e saem da Presidência, por exemplo, mas visto os grampos que vazaram da Dilma, quando esta ainda era presidente do Brasil, entre outras informações que vazaram diretamente do Palácio do Planalto, chegamos a duas conclusões: 1) ou a ABIN é incompetente e é um órgão muito caro para pouco resultado ou 2) ou são um serviço muito caro que toma decisões a revelia dos poderes democraticamente constituídos, o que é pior ainda. Ou seja, eles decidem de acordo com seus próprios critérios quem deve permanecer no comando do país ou que tipo de governo deve existir no Brasil. Independentemente de filiações partidárias ou ideológicas, isso é algo intolerável.

      • Willian Rochadel

        Estas conclusões foram os pontos mais assustadores.
        E por isso a dúvida sobre a utilidade para hoje. Uma estrutura que se perpetua como um “estado dentro de um estado” como mencionado.
        Saber que existem e toda esta história, já é um começo para refletir.

        • Jorge Virgilio

          Certamente. Essa foi uma das principais motivações para discutir esse tema, visto que a maioria dos brasileiros ignora as ações da ABIN e os riscos que esse organismo representa.

    • Jorge Virgilio

      P/S: como dissemos a ABIN também tem atribuições estranhas como “difundir a sua própria imagem”. Nessa ideia de difundir a si própria, a ABIN patrocinou o filme “Segurança Nacional”: https://pt.wikipedia.org/wiki/Seguran%C3%A7a_Nacional_(filme)

  • Darley Santos

    Episódio carregado de informação, fico só a imaginar o trabalhão que deve dar o levantamento e sistematização em pauta das informações, muito bom! Mas dessa vez chamo a atenção para a boa trilha sonora do cast, sempre fica legal e de bom tom!

    • Jorge Virgilio

      Obrigado, Darley. Esses episódios do SSB deram trabalho, mas foi uma satisfação fazê-los. 🙂

  • Oi, Pessoal! Terminei de ouvir hoje essa trilogia. Ainda não coloquei para minha mãe ouvir. E assim que fizer, volto para comentar. Passei mesmo para deixar um abração para todos vocês! /

    • Jorge Virgilio

      Olá, Priscila. Estávamos com saudade de você por aqui e curiosos para saber a sua opinião. Espero que não tenha sido muito longa a espera (já que você já disse que prefere ouvir depois de publicado todos os episódios). Forte abraço da equipe do TC!

      • Então, Jorge, eu acabei ouvindo quando foi saindo mesmo, porque vc disse que estavam independentes. O que aconteceu é que como ouço pelo celular e devido à correria do dia, acabei esquecendo de vir aqui comentar. Quando tirei férias em Março, acabei tirando férias da maioria dos podcasts que acompanho. Mas o Temacast foi um dos 3 que consegui manter em dia. Como vocês são quinzenais, isso me facilitou bastante, ahahaha Abraços!

        • Jorge Virgilio

          Sim. Apesar da continuidade do assunto, a gente tentou fazer episódios isolados que se complementam. Como você é uma “ouvinte fiel” que sempre comenta, achamos que tinha decidido esperar pelo final. Bom tê-la de volta. Abraços!

  • nosredna

    Muito obrigado pela trilogia, estou terminando de ouvir a terceira parte, mas já agradeço antecipadamente pelo ótimo trabalho. PS.: para datar o meu comentário, o LULA fez depoimento hoje para o Lava a Jato.

    • Jorge Virgilio

      Obrigado você, nosredna, pelos elogios e pelo comentário. Abraços!

  • Mike Araújo

    Olá pessoal do TEMACAST meu nome é Mike Araújo. Tenho 28 anos, fotógrafo e editor de vídeos. Sou de São Luís no Maranhão mas moro em Chicago, IL. Ouço o TEMACAST a tanto tempo que nem lembro quando comecei. Aliás eu ouvia vários podcats porém, tal qual um ouvinte de uns programas atrás, eu sinto vergonha alheia de ouvir um bando de marmajo falando com vozinha tosca e fazendo piadinha ridicula — se é que dá pra chamar um bando de gente relinxando junto de piada.

    Eu, respondendo a provocação do Virgílio, resouvi sair do “armário” porque acho que vocês merecessem. Eu, apesar de já ter ouvido ai umas dezenas de podcasts, nunca comentei em nenhum. Parabéns pelo excelente trabalho. Prometo, uma vez fora do armário, não ser tão passivo.

    Sobre o episódo em questão, já que vocês citaram o Sarney: Eu, como disse no começo, sou de Sarneylópolis (também conhecido como Maranhão). Certa vez numa aula na faculdade (estudei jornalismo) uma professora disse pra gente qual seria o significado do nome Sarney — pequeno disclosure: Sarney na verdade se chamava José Ribamar Araújo da Costa. Não, não somos parentes — Ela, a professora, trabalhou no governo da Roseana Sarney fazendo o que no meu estado chama governo intinerante que nada mais é do que uma equipe de profissionais de jornalismo que vai viajando nas cidades (as vezes em companhia do governador) fazendo pequenas reportagens, informes publicitários sobre obras do governo etc. Segundo essa professora o nome do pai do José era Ney. Como o Ney tinha lá algum tipo de relacionamento profissional com ingleses as pessoas se referiam a ele, Ney, como Sir Ney. Daí o povo que não entendi lá muito o que tava acontecendo acabava por chamar o sir Ney de Sarney. Se é verdade ou mito? Não sei, se que o título de sir explicaria muita coisa da postura desse senhor, não?

    Forte abraço!

    • Mike, obrigado pela visita e pelo comentário.
      Muito interessante a teoria sobre a origem do nome Sarney.
      Grande abraço

    • Jorge Virgilio

      Putz, se essa história for verdadeira, isso explica muita coisa. Como diria Cazuza: a elite brasileira são índios que querem ser ingleses!

  • André Manduca

    Olá, me chamo André, 27, Publicitário, e preciso corrigir um erro histórico, erro meu, não de vocês.
    Histórico porque acompanho o TemaCast dês dos primeiros episódios (apesar de não ter escutado todos) e nunca havia deixado um único comentário.. nem mesmo em episódios que me deixaram impressionados com tamanha qualidade, como o longínquo #04 Ditadura Militar, #08 Raul Seixas, Barão de Mauá, Rio Branco, Oswaldo Cruz.. etc etc..
    Vocês definitivamente são o melhor Podcast de História do Brasil, seja contando-a através de Temas (como nessa trilogia, por Época, ou por personagem histórico), também são muito bons abordando outros temas, especialmente em biografias.. e não falo isso sem propriedade.. acompanho com maior ou menor frequência cerca de 20 Podcasts diferentes, dos mais diversos temas e estilos.
    Meus parabéns pelo trabalho incrível, especialmente pelas trilogias, o verdadeiro “crème de la crème” do Temacast. E obrigado por tornar acessível e divertido, tanto conhecimento relevante, para tantas pessoas.
    Se até hoje não havia comentado, pelo menos já recomendei, e muito o trabalho de vocês para mais ouvintes.
    Abraços!

    • Jorge Virgilio

      Olá, André. Obrigado por tantos e elogios, e por finalmente ter nos escrito 🙂 Ficamos felizes que tenha nos recomendado. Acredito que o boca a boca seja a melhor forma de propaganda, sempre. Particularmente, eu também curto bastante as trilogias porque nos dá espaço para desenvolver bem o tema.
      Abraços em nome de toda a equipe do TC!

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