Salvador de Sá e a Revolta da Cachaça:

Vamos contextualizar a situação política da Capitania Real do Rio de Janeiro no contexto do Império Português, em particular no Sul do Brasil, no período que antecedeu a revolta. A começar pelo seu nome, que diferentemente das demais capitanias da América Portuguesa do mesmo período, carregava o epíteto “real”. Esse título, “capitania real” ou “capitania régia”, era dado aos territórios ultramarinos portugueses que eram tutelados diretamente pela Coroa. As demais capitanias, chamadas de “capitanias donatárias”, eram territórios doados pela Coroa a particulares, que os incorporavam como patrimônio privado.

Inicialmente, o território da Baía do Rio de Janeiro (como era chamada a Baía de Guanabara no Brasil Colônia) havia sido doado a Martim Afonso de Souza, e era a “porção norte” ou “porção setentrional” – ou o “1º lote” da Capitania de São Vicente – e se estendia de Macaé (atual Estado do Rio) até Caraguatatuba (no atual Estado de SP). A parte setentrional (ao norte) e a meridional (ao sul) da Capitania de São Vicente eram separadas uma da outra pela Capitania de Santo Amaro (de Caraguatatuba até Bertioga), cujo donatário era Pero Lopes de Souza, irmão de Martim Afonso de Souza. Como os irmãos Souza foram expulsos nos anos 1530 dessa região pelos tamoios (grupo tupinambá que ocupava a costa brasileira do Cabo Frio até Bertioga), tanto a porção setentrional de São Vicente como Santo Amaro não foram inicialmente ocupadas pelos portugueses…

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PARTICIPANTES

FONTES
  • “Cachaça – Conflito e impasse no Brasil Colonial”, Raphael Ricardo – Artigo
  • “Entre a sombra e o sol”, Antonio Felipe Caetano – Dissertação de Mestrado
  • “Salvador de Sá and the struggle for Brazil and Angola, 1602-1686”, C. R. Boxer
  • “O Rio de Janeiro no século 17”, Vivaldo Coaracy
  • Outras fontes

VITRINE

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  • Ezequias Campos

    Como eu NUNCA havia falado na história deste cara?
    A revolta da cachaça é meio obvio porque quiseram esquecer dela.
    E claro, depois da república quiseram passar a limpo a história e apagar que a “locomotiva” da economia sempre fora puxada por braços negros. O tráfico negreiro era economicamente importantíssimo, e um interesse regional. O que é terrível de se passar numa aula de história que se busca construir mitos e não estudar o passado… Importantíssimo, contudo, dá peso a nossa história.

    • Pois é Ezequiel… a nossa história nos leva a profundas reflexões sobre o que ocorreu no passado e vivenciamos no presente, não é mesmo?

      Grande abraço

    • Jorge Virgilio

      Incrivelmente o Salvador de Sá é mais conhecido em Angola do que no Brasil. Nem a Marinha se interessou pela história dele embora ele pudesse ser considerado o pai da marinha brasileira.

  • Que legal, muito interessante esse podcast. Como sempre temacast superando as expectativas.

    • Jorge Virgilio

      Obrigado pelos elogios, Felipe. Abraços!

  • Darley Santos

    Cara, outro baita personagem histórico, grande estrategista, realizando seus desígnios apesar das adversidades assim como um rolo compressor nivela um terreno pedregoso, o homem faz e acontece, fiquei estupefato com a narração da sequência de conquistas, ufa! Mas ao mesmo tempo, que fim aflitivo o grande Salvador de Sá teve hein, mostrando como a política frequentemente pode ser uma coisa muito amarga! Não adianta chorar, e sabe-se lá como a História irá lhe conceituar depois, visto que ela é escrita por quem detém as penas… Como sempre, um prazer ouvi-los camaradas!

    • Jorge Virgilio

      Obrigado pelos elogios e pela mensagem. De fato, personagens como Salvador de Sá (o Moço) que apesar da fama e fortuna acabou relegado pela História (principalmente aqui no Brasil, seu país natal) prova que o futuro é sempre incerto.

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