As Teorias Marxistas:

Neste episódio, abordamos as teorias marxistas não com a costumeira abordagem político-ideológica a que estamos acostumados a encontrar por ai. Falamos das teorias marxistas com foco na economia da época em que Marx viveu e comparamos ao dias atuais.

Diferentemente de outros pensadores econômicos de seu tempo, Marx não estava comprometido com ideias abstratas. De fato, ele tinha uma opinião bastante ruim sobre as pessoas que defendiam “utopias” baseadas em conceitos etéreos como “justiça”, “igualdade social”, etc. Pessoas, inclusive, a quem ele chamava “socialistas utópicos”. Estando comprometido com o pensamento científico, Marx desejava embasar sua teoria social em algum conceito mais concreto que o “bem-estar” ou a “paz mundial”.

Ele queria algo que fosse mensurável e comparável. E por isso concluiu que, dentre as coisas que podiam ser medidas e comparadas, a coisa mais importante, mais característica acerca de nós seres humanos e as diferentes sociedades que nós construímos através do tempo, é a nossa capacidade de produzir o nosso próprio meio de subsistência. Em outras palavras, para Marx, é a capacidade de criar novas coisas através do trabalho que essencialmente nos diferencia, nós seres humanos, dos outros animais…

Saiba mais sobre isso ouvindo as teorias marxistas.


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FONTES
  • Curso “Moral Foundations of Politics” da Yale University, pelo prof. Ian Shapiro
  • “O Manifesto Comunista”, Karl Marx
  • “O Capital vol. 1”, Karl Marx
  • “O Capital vol. 2”, Karl Marx
  • Outras fontes

TRANSCRIÇÃO DO ÁUDIO

Equipe de Transcrição:
Carlos Barbosa – Linkedin
Fernanda Marini – Twitter: @femarini
Karla Michelle Braga –  Facebook
Rafael Rezende – Twitter: @KoreiaPS

Link: Em produção

 


VITRINE

MÚSICAS DESTE EPISÓDIO
  • The Best of Beethoven (YouTube)
  • Serenada ao Luar de Schubert (YouTube)

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  • Bárbara Damasceno

    Mais um programa incrível, obrigada! Eu tinha uma visão um pouco diferente de Marx (e nunca li nenhuma das obras dele).
    Uma vez uma moça que trabalhava com limpeza me perguntou como fazia para trabalhar com o computador, porque com computador as pessoas ganhavam mais e se esforçavam menos. Acho que foi a primeira vez que refleti sobre isso numa situação prática.

    • Jorge Virgilio

      Oi, Bárbara. Obrigado você pela mensagem. De fato, a maioria das pessoas – inclusive muitas das que se dizem marxistas – jamais realmente leu Marx. No máximo, leu frases soltas. Acho que muitas das reflexões e questionamentos do Marx sobre o capitalismo fazem sentido e merecem ser estudados. O grande erro dele provavelmente foi tentar extrapolar suas análises para o futuro e principalmente para uma eventual superação do capitalismo. Como sempre digo, “O Capital” seria um livro bem melhor se chamasse “O Capital em 1850”. Abraços!

  • Gharcia

    Olá TemaCasters!
    Que excelente episódio, sim?
    Principalmente por essa pesquisa intensa sobre os autores relacionados no episódio.
    Outra coisa que Marx não poderia supor é exatamente isso:

    Como mensurar ter acesso a profissionais capacitados e especializados que fazem o seu trabalho com esmero sem qlq custo ao consumidor final?

    Ou: Como mensurar o produto de vcs aqui do TemaCast?

    Muito grato pelo excelente trabalho de vcs.

    Abraços e Sucesso!

    • Jorge Virgilio

      Olá, Gharcia, como dizem “a recompensa de um trabalho bem executado é tê-lo feito”. E claro, a satisfação dos ouvintes é sempre um forte indicador de que estamos acertando. 😉 Obrigado por nos acompanhar. Abraços!

      • Gharcia

        Nossa… dscp.. só agora percebi… gosto muito das suas músicas… principalmente aquela do Homem Aranha Monalisa.. algo assim… ^_^

  • Mindingo Iluminatti

    Muito bom o programa. Ainda mais como incentivo para que se leiam as obras de Marx, mesmo para discuti-las.
    Sei que é necessário simplificar, mas o exemplo de uma única pessoa fazendo um computador não seria o melhor exemplo para o capitalismo. Trataria- se do trabalho social aplicado, portanto não só de uma pessoa, mas de toda a cadeia. Há também a questão da raridades e dificuldade de acesso a determinados materiais, o que já faz com que o produto tenha valor de troca maior. Outra questão é o fetichismo.
    Enfim, é uma obra bastante vasta e complexa, e conseguiram fazer um bom apanhado. Eu, apesar de conhecer bastante a teoria, tenho alguma questões sobre o tratamento dado aos camponeses, pois estes são donos dos meios de produção, apesar de não serem capitalistas. Abraços.

    • Jorge Virgilio

      Olá, Mindingo. Obrigado pela mensagem e pelos elogios. Como nós dissemos no programa, não temos qualquer formação em economia, nem somos especialistas em Marx, a ideia foi apenas transmitir alguns conceitos fundamentais das teorias marxistas, dentro das nossas limitações, para desmistificar o marxismo. Sobre o exemplo do computador, de fato trata-se de um exemplo bastante simplificado e foi o que me ocorreu durante a elaboração da pauta apenas para ilustrar a diferença entre valor de uso e de troca. No caso, eu não estava imaginando a fabricação de cada componente do computador, mas apenas o seu processo de montagem. Algo que pode ser realizado por uma única pessoa (eu mesmo já fiz isso em empresas de assistência em informática). Essas empresas possuem seus técnicos em informática, que montam o pc com as peças que elas possuem, e depois vendem o computador montado para o usuário final por um valor de troca superior à soma do valor de troca de seus componentes isolados. Acredito que isso ficou ambíguo devido ao fato de ter usado o verbo “produzir” ao invés de “montar”. Em todo caso, muito obrigado pela sua contribuição. Ficamos aliviados em saber que conseguimos não errar tanto, mesmo para um especialista. Abraços!

  • Tiago Sotero TiagoJedi

    Vcs estão de parabéns, muito mais que um cast , foi uma aula Onde se aprende muito sobre como as pessoas do nosso tempo falam coisas sem nem saber do que estão falando, lembro de uma única menção a Marx na minha aula de introdução à econômica na faculdade e isso foi tudo que vi durante anos. Podcast incrivel. Forte abraço galera.

    • Jorge Virgilio

      Olá, Tiago. Obrigado pela mensagem e pelos elogios. Ficamos felizes que tenha apreciado o episódio. Abraços!

  • Não lembro se comentaram no programa (ouvi sexta, hoje já é domingo), mas faltou dizer que o Marx podia passar horas pensando suas teorias, porque quem sustentava a casa era a fortuna de sua esposa. Aí fica fácil, né? Abraços!

    • Jorge Virgilio

      Olá, Priscila. Obrigado pela mensagem. Não comentamos, pois não abordamos a biografia do Marx em profundida. O episódio de fato foi direcionado para falar de suas teorias (se adentrássemos na sua vida pessoal, o episódio teria de ser duplo). Entretanto, esse privilégio do Marx de poder se dedicar única e exclusivamente a seus estudos devido a fortuna de algum mecenas ou da própria família foi compartilhado por vários pensadores importantes do passado. Incluindo Santos Dumont, cuja história apresentamos há pouco tempo. Abraços!

    • “Fica fácil” é um tanto pejorativo e desonesto intelectualmente.
      O fato de ser financiado em nada muda o valor de uma obra, seja positiva ou negativamente.
      Partindo desse teu comentário, praticamente todas as pesquisas na área científica seriam invalidadas, já que é muito “fácil”, possuindo um apoio financeiro.
      Como tal, este argumento é falacioso à deverias. Como piada, é ruim também.
      Note que não estou defendendo o Marxismo, mas apontando uma falha na balança moral de quem usa tal argumento.
      Como o @jorgevirgilio:disqus comentou, tantos outros puderam contar com apoio financeiro, que algo essencial. Mesmo o pesquisador mais modesto precisa de um básico para subsistência.
      E se parar para pensar, não é ótimo que algumas pessoas possam se dedicar à estudos, literatura ou qualquer que seja seu sonho? Que sociedade ruim, àquela cujos integrantes só conseguem se preocupar com o que vai comer no dia seguinte. :/

      • Olá, senhor “se doeu pelo que eu disse porque não entendeu patavinas nenhuma”, tudo bem com você?

        EM QUE PARTE DO MEU COMENTÁRIO EU DESMERECI O QUE ELE ESCREVEU?

        Aponte lá.

        Difícil? Vou deixar claro então:

        FICA FÁCIL escrever qualquer coisa quando você é sustentado por alguém e não precisa se preocupar com as contas a pagar. Sua cabeça pode se preocupar com outras coisas.

        BOM, espero que vc tenha entendido agora.

        Senão, na próxima eu desenho.

        (Seixas, Igor e Virgilio, desculpem a crueza das palavras, mas não suporto que distorçam minha fala, só pq um sujeito quer aparecer aqui.)

        • Bom vamos lá…
          Primeiramente, sarcasmo não é uma boa ferramenta de debate.
          Segundo, meu ponto foi sobre a seguinte frase:

          “…mas faltou dizer que o Marx podia passar horas pensando suas teorias, porque quem sustentava a casa era a fortuna de sua esposa. Aí fica fácil, né…”

          Leia novamente este trecho, por favor e depois leia meu comentário.
          Como já disse, meu comentário foi sobre tua alegação e somente sobre ela. Usei esse espaço para contrapor uma afirmação de senso comum, da dita facilidade.
          Nem sempre apoio financeiro significa facilidade, com dinheiro ou sem, é preciso criar e sustentar uma obra com bons argumentos, né não?
          Sempre que vejo essa frase, geralmente ela está ligada à:
          – Ataque à pessoa e não à ideia.
          – Cultura machista. Sim, usa-se da informação da fortuna ser de sua esposa como um fator de vergonha. ( Não estou dizendo que trata-se da questão aqui)

          Enfim, o teu tom na resposta foi extremamente desnecessário. Em momento algum busquei te ofender e tu visou justamente o contrário com o tom jocoso e ofensivo.
          Não precisa desenhar não, basta reler o que tu escreveu e ler novamente, com calma o que escrevi. Se ainda assim te pareceu ofensivo, nunca foi a ideia.
          E também não preciso aparecer, tenho tanto mais para me ocupar.
          Eu poderia me exaltar com teu comentário, mas eu prefiro mil vezes o diálogo, afinal, atrás de cada palavra escrita tem sempre um ser humano….
          🙂

  • Ah, é! Esqueci de comentar! Sou a favor de um programa só de leitura de e-mails, como faz o pessoal do papo Lendário. O hangout é bacana tbm, mas nem sempre as agendas batem. Aí é complicado acompanhar. Já o episódio fica no feed e ouve quem quer, quem não quer, pula.

    • Jorge Virgilio

      Provavelmente optaremos por este formato. Obrigado por opinar.

  • Presidente Exumador

    Ótimo programa introdutório. Embora não concorde com o ponto de que as ideias do pensador estejam ultrapassadas, pelo que entendi vcs consideram 100% delas algo defasado, ainda acho q é possível pinçar um ou outro pensamento que se encaixa muito bem nos tempos atuais, o de q o Estado é fruto do capitalismo é um deles, por exemplo.

    Quem quiser se aprofundar um pouco mais e sem preconceitos sugiro assistir as palestras no canal da Editora Boitempo https://www.youtube.com/watch?v=7bM4y9hsJS4&list=PLuOXP9SceDPOw4boTp_SGkCJqQm8MzE8T

    Um abraço e vida eterna ao TemaCast.

    • Jorge Virgilio

      Olá, Presidente Exumador. Obrigado por nos escrever e pelos elogios. Quanto as ideias defendidas por Marx, como dissemos elas foram uma análise bastante boa do capitalismo na sua época. Além do quê, muito dos problemas que Marx identificou no capitalismo naquela época ainda são perceptíveis (chegamos a mencionar a crise de 2008, como exemplo). Mas consideramos que as teorias de Marx, tal como elas foram apresentadas no século XIX, estão desfasadas, pois a sociedade, a tecnologia e a relação dos capitalistas com o Estado evoluiu de formas que Marx – nem ninguém que viveu naquela época – podia prever. Marx está tão defasado quanto Smith, Mill, Bentham ou mesmo Keynes… Isso não quer dizer que eles não tenham algo a nos dizer, ou que deveriam ser ignorados. Longe disso. A física de Newton, por exemplo, ficou defasada no final do século XIX, mas ela continua sendo de extrema importância em várias ciências. Abraços!

      • Presidente Exumador

        Entendi seu ponto e concordo, acho q foi por isso q gostei tanto do programa, você consegue não mais concordar com um pensamento e mesmo assim o respeita, isso está “tão fora de uso” hoje em dia, principalmente na internet.

        Abraços,

    • Jorge Virgilio

      P/S: particularmente eu preferiria que o livro do Marx se chamasse “O Capital em 1850”. Creio que é importante contextualizar a obra no seu tempo.

  • Darley Santos

    Quando vi o tema já fiquei muito ansioso! Esse cast com certeza irei guardar, não vou fazer como os outros que eu baixo, escuto, e finalmente deleto, esse é para guardar mesmo! Acho que abarcou bastante a obra de Karl Marx, resumindo-a em um ótimo material introdutório (no sentido de ser um ponto de partida para uma pesquisa mais aprofundada, a quem interessar). Sério, entendi mais sobre Marx (em linhas gerais) escutando este cast do que lendo “O Que É Ideologia”, da Marilena Chauí… Sim, nunca passei nem perto de ler alguma obra do próprio Marx, mas eis que estamos diante de um tema relevante, pois ainda atual – a “Guerra Fria” parece nunca ter acabado, e ainda hoje vemos a luta ideológica entre socialistas-marxistas-comunistas e os defensores do capitalismo (e do Estado do Direito!), seja nas universidades, seja na mídia. Muito me esclareceu escuta-los expondo os fundamentos do pensamento marxista, os seus teóricos predecessores, e a desmistificação da obra de Marx, como a falsa oposição intelectual com o próprio Adam Smith. A pretexto da obra citada acima da Marilena Chauí, e em tempos de marxismo cultural (Antonio Gramsci), devo dizer que senti falta de uma explanação acerca do conceito de ideologia dentro da visão marxista e os seus desdobramentos, mas a proposta descrita do cast é focar nos aspectos econômicos da teoria, então…

    Esse conceito de mais-valia sempre me parece fácil, num primeiro momento, de entender, mas não se prendendo a uma primeira definição rasa e tentando compreender dentro de toda a visão crítica do marxismo com relação ao capitalismo, a coisa é um pouquinho mais complicada…

    De fato, o capitalismo tem se provado um sistema duradouro e sustentável, pois mesmo com seus ciclos de crise, ele ressurge mais vigoroso, se expandindo e engolfando tudo e a todos – nem a agenda ambientalista, com todo seu clamor apocalíptico contra o capitalismo, conseguiu desbanca-lo, e eis que o paradigma da sustentabilidade surge como uma forma de conciliação entre a necessidade de produção e a conservação do meio ambiente: é como se o capitalismo tivesse a sua própria dialética, ironicamente, sempre ressurgindo mais forte a cada embate de contradições, resultando em uma nova “síntese de reestruturação”. Karl Marx não pôde, e não podia mesmo, prever toda a versatilidade e capacidade de adaptação e diversificação do sistema capitalista, sendo que o desenvolvimento tecnológico e a inovação têm papel importantíssimo nisso. De fato, um grande erro de Marx foi ter dado a sua teoria esse caráter escatológico – santa presunção em querer determinar o fim da história (por algum motivo, lembrei da obra “O Fim da História e o Último Homem”, de Francis Fukuyama…). Por essa e outras coisas que me parece bem justo quando o Jorge Virgilio diz que o livro “’O Capital’ seria um livro bem melhor se se chamasse ‘O Capital em 1850’”.

    • Jorge Virgilio

      Olá, Darley. Obrigado pela mensagem e pelos elogios. Ficamos contentes que tenha apreciado tanto o episódio. De fato, todas as teorias que são muito abrangentes, que tentam encaixar tudo em fórmulas conceituais muito rígidas (particularmente em ciências humanas), tendem a esse mesmo fracasso. Acho muito complicado senão impossível encontrar uma regra que explique toda evolução histórica da humanidade. A única coisa que podemos prever sobre o futuro da humanidade é que ele será imprevisível. Abraços!

  • Excelente podcast, nossa quanto tempo eu não comento, mas esse tive que vir correndo para comentar. Realmente é triste de se ver o quanto de gente defende uma prática sem ter o mínimo de noção do que ela se trata. Pude aprender bastante com esse podcast, obrigado.

    • Jorge Virgilio

      Obrigado pela mensagem e pelos elogios. 🙂 Bom tê-lo comentando novamente. Abs!

  • Lia V

    Muito bom o assunto, mas ao falar do bolsa família considero um erro imenso pensar que é somente a transferência de dinheiro.Pois, há uma gama de oportunidades para os beneficiários do programa que é desde de cursos profissionalizantes até isenção das taxas de concurso público ou outros processos seletivo, e também é essencial ferramenta para a implementação de políticas públicas tanto a nível estadual quanto municipal.

    • Jorge Virgilio

      Olá, Lia. Obrigado pela menagem. Nós não defendemos que o Bolsa Família se resume APENAS à transferência de dinheiro. O que dissemos foi que o Bolsa Família, na sua estrutura fundamental, ou seja, aumentar a liquidez das famílias beneficiadas, é uma medida muito mais de direita do que de esquerda pois trata-se de uma medida despolitizada, que não amplia a consciência de classe, nem muito menos modifica as estruturas sociais e os modos de produção da sociedade. Tanto assim é que o próprio PT (quando ainda podia ser dito de esquerda, antes de chegar a Presidência) se colocou CONTRA o Bolsa Alimentação, o Vale Gás e o Bolsa Escola, que são os antepassados do Bolsa Família e foram adotados no Governo FHC por recomendação do Banco Mundial, sediado em Washington D.C., portanto uma instituição capitalista e alinhada com a direita internacional (vide este vídeo de Lula: https://www.youtube.com/watch?v=83WUqpvddq8).

      Nas palavras de Lula: “Lamentavelmente, o voto não Brasil não é ideológico. Lamentavelmente, as pessoas não votam partidariamente.”

      Muitos petistas chegaram a boicotar a adoção do Bolsa Escola (por eles batizado de “esmola”), como nos lembra essa matéria do Diário do Grande ABC (Vide: http://www.dgabc.com.br/(X(1)S(2dvk5lmtqtvyzrwwhitfbqx2))/Noticia/166239/bolsa-escola-e-criticada-mas-pt-aceita-verba): “Considerado ‘esmola’ para alguns e ‘eleitoreiro’ para outros, o programa Bolsa-Escola do governo federal foi boicotado por líderes petistas e quase não foi adotado pelos seus próprios criadores.”

      Muitos petistas históricos, como José Genoíno, criticavam o “bolsa esmola” que dava 15 reais de Bolsa Escola à estudantes carentes e 60 reais de Bolsa Renda às famílias atingidas pela seca por considerar a medida assistencialista. Para eles, até então, o papel do governo era fazer reforma de base, não distribuir dinheiro.

      O programa é particularmente criticado pelos partidos mais próximos da extrema esquerda, como o PSTU (vide: https://www.pstu.org.br/os-trabalhadores-precisam-do-bolsa-familia-ou-de-empregos/)

      De acordo com este artigo do PSTU: “Foi com os governos chamados de ‘esquerda’ da América Latina que os programas sociais compensatórios ganharam importância e se ampliaram, servindo para reforçar a suposta imagem de ‘combate à miséria’ destes presidentes. Na Bolívia, o governo Evo Morales implementou o bônus escolar Juanito Pinto e o bônus Renta Dignidad para idosos. Na Venezuela, Hugo Chávez mantém as chamadas Misiones Sociales. Daniel Ortega, presidente da Nicarágua, criou o Hambre Cero. No entanto, os programas compensatórios não são uma exclusividade dos governos supostamente de ‘esquerda’. Os de direita também aplicam as recomendações do Banco Mundial, como o de Alan García, presidente do Peru, ou o governo do Paquistão. Até mesmo a cidade de Nova York, nos Estados Unidos, tem um programa destes, o Opportunity NYC. Essas medidas compensatórias também se transformaram num formidável instrumento eleitoral para os governos. Aqui no Brasil, é através da dependência criada entre um setor da sociedade do pagamento do Bolsa Família, que o governo consegue obter uma importante base eleitoral. Ou seja, o programa serve para subornar as camadas mais empobrecidas da população com transferências de dinheiro para obter eleitores cativos. Assim, o Bolsa Família tornou-se uma instrumento de controle político da miséria.”

      Políticas de Esquerda com E maiúsculo como as que o PSTU defende devem ter sempre o caráter de promover a consciência de classe. Coisa que o Bolsa Família não faz. Além disso, ela tem que promover a emancipação do trabalhador, dando a eles os meios para produzir seu próprio sustento de maneira autônoma e independente. Daí a proposta do PSTU de abolir programas sociais e socializar os meios de produção para assegurar o pleno emprego. Para o pensamento marxista tradicional, programas sociais são “medidas compensatórias”, quase um danos morais, da sociedade capitalista para suavizar as tensões sociais e impedir a revolução.

      Entretanto, pela falta de caráter ideológico do Bolsa Família, no Brasil as medidas sociais defendidas hoje por Lula e cúpula do PT, foram criticados até pela esquerda mais moderada (reformista), que culpa a rejeição à esquerda por parte dos mais pobres verificada nas eleições municipais do Rio e de São Paulo, por exemplo, ao fato do PT ter apenas inserido os pobres na sociedade de consumo sem ampliar-lhes os direitos e a consciência ideológica, e sem organizar politicamente a base da sociedade (vide a crítica de Chico Alencar do PSOL-RJ: https://jornalggn.com.br/noticia/pt-esta-colhendo-o-que-deixou-de-plantar-por-chico-alencar)

      Nas palavras do deputado federal carioca: “Mas é forçoso reconhecer que o PT do poder, a despeito da militância idealista que se queda deprimida, está colhendo o que deixou de plantar. Incluiu segmentos importantes nos círculos de consumo, mas não estimulou movimentos que promovessem a consciência política. […] Paulatinamente, desde 2002, o programático foi sendo engolido pelo pragmático, o verbo pela verba, o poder como serviço pelo poder de mando, a organização de base pelo dirigismo burocrático das cúpulas.”

      Espero ter esclarecido nosso ponto de vista. Abraços!

  • Paulo Viana

    Fantástico! Parabéns.

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